3I/ATLAS: A sonda JUICE, os mistérios do cometa interestelar e seu encontro com Júpiter

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Existe uma sonda espacial atualmente viajando no espaço profundo que capturou fotos inéditas e inéditos dados científicos do estranho objeto interestelar 3I/ATLAS. Apesar da alta expectativa, esses dados estão presos no espaço, a uma velocidade de transmissão ultralenta, e só deverão chegar à Terra entre os dias 18 e 20 de fevereiro de 2026. A quantidade e qualidade dos dados são impressionantes: cinco instrumentos científicos ativos durante 24 dias focados em um objeto interestelar que desafia nosso entendimento da ciência.

Missão JUICE: Uma missão ousada da ESA

A sonda JUICE (Jupiter Icy Moons Explorer), da Agência Espacial Europeia (ESA), foi lançada em abril de 2023 com a missão de explorar as luas geladas de Júpiter como Europa e Ganimedes, em busca de oceanos subterrâneos e possíveis sinais de vida. Em fevereiro de 2026, JUICE está em cruzeiro no espaço, a caminho de Júpiter, que deve alcançar em 2031.

Normalmente, seus instrumentos científicos permanecem desligados para evitar superaquecimento devido à proximidade do Sol. Contudo, em novembro de 2025, alertados pela passagem a cerca de 66 milhões de quilômetros do 3I/ATLAS, que é uma proximidade significativa em termos espaciais, os cientistas decidiram ligar todos os cinco instrumentos científicos da sonda durante 24 dias, mesmo com risco de danos, para capturar o máximo possível de informações.

Esses instrumentos incluem:

  • JANUS: Câmera de alta resolução comparável a do Hubble.
  • MAJIS: Espectrômetro infravermelho para análise da composição química.
  • UVS: Espectrômetro ultravioleta para observar radiações e gases não visíveis ao olho humano.
  • SWI: Detector de água por ondas submilimétricas, para identificar vaporização de água do núcleo.
  • PEP: Medidor de partículas ao redor do cometa, capturando partículas em tempo real.

Entretanto, o tempo diário de observação foi limitado a apenas 30 minutos devido ao calor solar, o que dificultava as capturas, comparável a tentar fotografar algo em movimento com os olhos abertos por apenas meia hora a cada dia.

Dados presos no espaço: a espera pelos detalhes completos

Devido à antena principal da sonda estar sendo usada como escudo térmico para proteger a JUICE da radiação solar, os dados do 3I/ATLAS estão sendo transmitidos pela antena secundária, que possui uma taxa de transmissão extremamente lenta, comparável a uma conexão de internet discada dos anos 1990. Em dezembro de 2025, a ESA conseguiu receber apenas um quarto de frame de uma câmera de navegação, o que já revelou dois jatos, coma brilhante e alta atividade, antecipando o que os cinco instrumentos poderão revelar quando os dados completos chegarem.

Essa será a observação mais próxima e detalhada já realizada de um objeto interestelar, superando ampliações anteriores de 1I/’Oumuamua e 2I/Borisov, com dados cruciais chegando em fevereiro de 2026. A comunidade científica está ansiosa para analisar essas informações pioneiras.

Buracos negros primordiais: uma possível conexão intrigante

Um estudo recente, ainda não avaliado por pares e publicado em janeiro de 2026, propõe uma hipótese instigante: um buraco negro primordial, situado cerca de 430 unidades astronômicas do Sol na direção da constelação de Puppis, poderia ter defletido a trajetória do 3I/ATLAS para dentro do sistema solar interno. Esses buracos negros são pequenos objetos remanescentes do Big Bang, que evaporam e podem explodir, influenciando corpos próximos gravitacionalmente.

A probabilidade do 3I/ATLAS passar tão perto de Júpiter, cerca de 66 milhões de quilômetros, é calculada em apenas 0,005%, ou 1 em 20 mil, levantando questionamentos sobre se é uma simples coincidência ou um evento fortuito justificável.

O renomado cientista Avi Loeb, da Universidade de Harvard, acompanha essas anomalias e aponta que essa e outras características incomuns do 3I/ATLAS merecem investigações detalhadas.

O mistério do metano: um comportamento inesperado

O telescópio espacial James Webb apontou para o 3I/ATLAS duas vezes em dezembro de 2025, detectando uma presença importante de metano, um gás volátil que normalmente sublimaria muito antes da água se o objeto estivesse se aproximando do Sol.

Curiosamente, observações anteriores do mesmo objeto em agosto de 2025, quando ainda estava longe do Sol, mostraram ausência total de metano. A produção desse gás praticamente dobrou entre 15 e 27 de dezembro, algo que não segue o comportamento esperado de um cometa convencional.

A explicação mais aceita é que o metano das camadas externas foi destruído pela radiação cósmica durante a longa jornada interestelar e só começou a sublimar quando as camadas exteriores irradiadas desapareceram, expondo o metano preservado no interior do núcleo.

No entanto, especialistas como Avi Loeb catalogam esse fenômeno entre as várias anomalias do 3I/ATLAS que desafiam explicações convencionais, incentivando a ciência a investigar o inexplicável.

Núcleo e jatos simétricos: padrões incomuns no coração do 3I/ATLAS

O telescópio espacial Hubble, em janeiro de 2026, conseguiu resolver imagens inéditas do núcleo do 3I/ATLAS, confirmando um tamanho extraordinário de 2,6 km de diâmetro — muito maior que outros objetos interestelares conhecidos.

Mais surpreendente, a análise das imagens revela quatro jatos saindo do núcleo, sendo três jatos menores espaçados uniformemente com exatos 120 graus de separação, formando um triângulo perfeito, e um quarto jato muito maior apontando na direção oposta ao Sol. O sistema inteiro gira com um período de aproximadamente 7,1 horas, com os jatos se comportando como faróis giratórios.

Esse padrão simétrico é altamente incomum para cometas naturais, que normalmente apresentam jatos dispersos e caóticos, sem simetria alguma devido à superfície irregular e heterogênea.

Avi Loeb sugeriu que essa simetria geométrica lembra estruturas industriais artificiais, não descartando completamente a possibilidade de sinais de tecnologia, o que convida a uma investigação científica cuidadosa e aberta.

Fronteira de Júpiter: o encontro iminente

Em 16 de março de 2026, o 3I/ATLAS vai passar a 53,6 milhões de quilômetros de Júpiter, na fronteira da esfera de Hill do planeta — a região onde a gravidade de Júpiter domina e influencia objetos próximos. Essa passagem é significativa, pois a velocidade do objeto (66 km/s) não permitirá sua captura pelo planeta, mas poderá alterar sua trajetória pela força gravitacional.

Esse encontro pode possibilitar:

  • Deflexão orbital: Mudança na trajetória que pode ajudar a medir propriedades internas do 3I/ATLAS.
  • Estresse por forças de maré (tidal): Que pode esticar o núcleo e causar dano estrutural, similar ao que ocorreu com o cometa Shoemaker-Levy 9 antes de sua fragmentação.
  • Fragmentação: Caso haja falhas internas, o núcleo pode se partir, e fragmentos poderiam teoricamente ficar presos em órbita de Júpiter.

A sonda Juno, atualmente em órbita de Júpiter, possui instrumentos que poderiam observar esse evento à distância, porém com limitações operacionais e falta de combustível para realizar manobras próximas.

Apesar disso, a observação remota desse encontro promete ser histórica para a compreensão de objetos interestelares e suas interações com planetas do nosso sistema solar.

O que esperar

Nos próximos dias, com a chegada dos dados completos da sonda JUICE, nossa compreensão sobre o 3I/ATLAS poderá mudar radicalmente. Tudo indica que estamos diante de um objeto que não se encaixa nos moldes tradicionais de cometas e asteroides, trazendo novas perguntas sobre a origem e a natureza dos corpos que visitam nosso sistema solar vindos de espaço interestelar.

Fique atento para as próximas análises detalhadas e acompanhe esse fenômeno extraordinário que nos lembra o quanto o universo é misterioso e cheio de surpresas.

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