Na quarta-feira, 20 de novembro, aconteceu um daqueles eventos que mudam o clima da história.
Depois de semanas de atraso, ruídos na internet, especulações crescendo e críticas públicas sobre a demora em divulgar material de alta resolução, a NASA decidiu falar — e falou do jeito mais “sem margem para erro” possível: ao vivo, em uma live nos canais oficiais.
O resultado foi curioso por dois motivos.
Pelo que eles mostraram.
E, principalmente, pelo que eles não mostraram.
Neste artigo, eu organizei a live como um leitor gostaria: com contexto, clareza e uma linha separando dado, interpretação e debate público.
A live que a NASA não podia errar
O tom da live deixou algo implícito logo de cara: a NASA sabia que a internet estava fervendo.
Foram mencionadas observações feitas por um número impressionante de missões — no seu roteiro, você cita que cerca de 20 missões participaram em algum nível do esforço de observação, incluindo nomes como Lucy, Psyche, SOHO, STEREO, MRO, MAVEN, PUNCH e outros observatórios voltados ao Sol.
Essa mobilização é, por si só, um recado: o 3I/ATLAS virou um alvo científico de primeira grandeza.
E a live começou com quatro nomes da NASA que não foram escolhidos por acaso:
- Ahmet Satriya (coordenação e integração de dados de monitoramento solar e espacial)
- Nikki Fox (liderança em ciências heliogeofísicas)
- Tom Statler (ligado à área de defesa/monitoramento e cálculo de risco e órbitas)
- Shawn Domagal-Goldman (astrobiologia e implicações sobre origem e química)
Ou seja: um time “perfeito” para falar sobre um visitante interestelar que está gerando dúvidas públicas e um interesse científico enorme.
O que a NASA revelou: a nova face do 3I/ATLAS
A NASA reforçou uma posição que já aparece em comunicações oficiais há tempos:
“É um cometa. Ele se comporta como um cometa. As evidências apontam para isso.”
Mas o que deu peso à live não foi essa frase padrão. Foi o conjunto de peças apresentadas por diferentes ângulos e instrumentos.
O mosaico de missões: cada uma viu um pedaço do quebra-cabeça
- Lucy: imagens sugerindo uma coma ampla, com iluminação e geometria que destacam a “nuvem” ao redor do núcleo;
- Psyche: outro ângulo da coma, ajudando a comparar forma e distribuição de material;
- SOHO e STEREO: uso de stacking (sobreposição de várias exposições) para tornar visível um objeto fraco;
- MAVEN: detecção de moléculas liberadas (no roteiro, você destaca o hidrogênio), reforçando atividade de sublimação.
O efeito disso é poderoso: em vez de uma única imagem “definitiva”, a live constrói uma narrativa de ciência real — fragmentada, múltipla, com instrumentos que enxergam coisas diferentes.
E aí veio um detalhe que mudou o tom de muita gente:
a NASA admitiu a possibilidade de o 3I/ATLAS ser extremamente antigo — potencialmente mais antigo que o próprio Sol.
Se isso estiver correto, estamos observando um fragmento muito antigo do cosmos: um material que pode ter se formado em ambientes anteriores ao nosso Sistema Solar.
O que a NASA “passou rápido”: química, poeira e comportamentos difíceis
Em lives e comunicados, às vezes o que mais importa é o que aparece como “nota de rodapé” falada rápido — e no seu roteiro, alguns pontos foram citados quase sem aprofundamento.
Entre eles:
- Composição química incomum (incluindo proporções de CO2 em relação à água acima do típico);
- menções a metais em proporções incomuns (você cita níquel vs. ferro como exemplo que chamou atenção);
- polarização anômala da luz, sugerindo poeira com propriedades diferentes das “padrões” dos cometas mais familiares;
- e, por fim, comportamentos de cauda que a NASA não pareceu disposta a destrinchar naquele momento.
A sensação para quem assistiu com atenção é: há mais dados do que cabia naquele formato. A live mostrou o “suficiente” para reposicionar o debate, mas evitou mergulhar nos tópicos mais controversos.
A reação de Avi Loeb: crítica, 12 anomalias e um debate inevitável
Logo após a live, Avi Loeb entrou no debate com uma reação que viralizou rapidamente.
E aqui vale a distinção importante:
Loeb não “provou” nada.
O que ele fez foi listar pontos que, na visão dele, deveriam ser discutidos e que a NASA evitou aprofundar na live.
No seu roteiro, os argumentos que mais pegaram na internet foram:
- massa/escala comparada a outros visitantes interestelares (ʻOumuamua e 2I/Borisov);
- alinhamento orbital que ele considera improvável e digno de discussão;
- comportamento da cauda: aparecendo, sumindo, alternando estruturas (cauda “normal” e anti-cauda);
- relatos de jatos estreitos em imagens amadoras, que ele considera difíceis de encaixar sem uma explicação física robusta.
O ponto mais interessante da fala dele — e o mais “honesto” para ciência — não é “é tecnologia”. É a frase:
“Não prova que é tecnologia… mas é um quebra-cabeça que precisa ser explicado.”
Essa é uma postura que rende debate, porque não força conclusão, mas também não aceita silêncio como resposta final.
O que vem agora: a reta final de visibilidade
Outro ponto forte do seu roteiro é a sensação de urgência.
O 3I/ATLAS está entrando em um período em que pode ficar mais difícil de observar, e a NASA mencionou que o James Webb deve observá-lo novamente em dezembro.
Se isso se confirmar, pode ser uma das últimas oportunidades de coletar imagens e espectros valiosos antes do objeto se afastar e, eventualmente, ficar fora do alcance prático.
Além disso, você cita que ainda há dados chegando de missões e instrumentos que precisam de processamento (como a Parker Solar Probe em certas janelas observacionais), o que significa que a história pode continuar mudando mesmo depois da live.
Continue no vídeo (se você quiser ver as imagens e a sequência completa da live)
Este artigo foi feito para quem gosta de ler com calma e entender o contexto sem interrupções.
No vídeo, eu mostro as imagens apresentadas pela NASA, explico por que diferentes missões “enxergam” coisas diferentes, e organizo a reação do Avi Loeb ponto a ponto — com o que é crítica, o que é hipótese e o que é dado.
Se quiser assistir, procure no canal Mistério Galáctico:
“NOVAS IMAGENS 3I/ATLAS: NASA finalmente mostra na LIVE”
Reflexão final
O mais interessante dessa live não foi “resolver o mistério”.
Foi mostrar que, mesmo com uma agência gigantesca, dezenas de missões e a melhor instrumentação já construída, existe uma verdade que continua desconfortável:
há coisas no céu que ainda não entendemos com facilidade.
E talvez a pergunta mais importante seja justamente a que fica quando termina a transmissão:
o que a NASA ainda está processando — e o que o próximo lote de dados vai revelar?
Eu sou o Alan. Este é o Mistério Galáctico. Obrigado por ler — e até a próxima atualização do cosmos.
Fontes (links puros)
Blog oficial da NASA — posts e imagens do 3I/ATLAS
https://science.nasa.gov/blogs/the-sun-spot/2025/11/19/nasas-stereo-observes-interstellar-comet-3i-atlas/
https://science.nasa.gov/blogs/the-sun-spot/2025/11/19/nasa-esas-soho-observes-interstellar-comet-3i-atlas/
https://science.nasa.gov/blogs/punch/2025/11/19/nasas-punch-spies-interstellar-comet-3i-atlas/
https://science.nasa.gov/blogs/lucy/2025/11/19/nasas-lucy-spacecraft-snaps-photos-of-interstellar-comet-3i-atlas/
Missões citadas
https://science.nasa.gov/mission/lucy/
https://science.nasa.gov/mission/psyche/
https://soho.nascom.nasa.gov/
https://stereo.gsfc.nasa.gov/
https://science.nasa.gov/mission/punch/
https://science.nasa.gov/mission/maven/
https://hirise.lpl.arizona.edu/
Página geral da NASA sobre objetos interestelares
ESA (contexto)
https://www.esa.int/Science_Exploration/Space_Science/SOHO
https://www.esa.int/Space_Safety/Planetary_Defence
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