Descubra por que há 10 trilhões de objetos interestelares na Nuvem de Oort

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Você já imaginou que dentro do nosso próprio sistema solar podem existir dez trilhões de objetos como o 3I/ATLAS? Parece inacreditável, mas essa é a estimativa feita pelo professor Avi Loeb, astrônomo renomado de Harvard, conhecido por suas teorias inovadoras e cálculos sólidos sobre objetos interestelares.

Quem é Avi Loeb e o que é a Nuvem de Oort?

Avi Loeb é um professor de astrofísica em Harvard que já publicou mais de mil papers. Ele é controverso por sugerir que o ‘Oumuamua’, um objeto interestelar, poderia ter origem alienígena – uma ideia contestada pela maioria da comunidade científica. Mesmo assim, seus cálculos são respeitados por sua exatidão e rigor.

Os objetos que ele estudou não estão próximos ao nosso sistema solar interno, mas sim na Nuvem de Oort, uma gigantesca concha de corpos gelados que circunda o sistema solar. Essa nuvem começa após Netuno, ultrapassa o Cinturão de Kuiper e se estende até meio ano-luz do Sol – uma distância tão grande que a luz leva cerca de seis meses para percorrê-la.

A Nuvem de Oort é habitada por trilhões de cometas, asteroides e pedaços de gelo e rocha que formaram o sistema solar há 4,6 bilhões de anos. É destes objetos que surgem os cometas de longo período que vemos no sistema solar interno, quando alguma perturbação gravitacional os impulsiona para dentro.

O cálculo surpreendente de Avi Loeb

O ponto central dessa descoberta está no cálculo simples porém poderoso de Loeb. Considerando que o telescópio ATLAS, que leva cerca de cinco anos para detectar apenas um objeto interestelar desse tamanho (cerca de 1,3 km de diâmetro, como o 3I/ATLAS), ele concluiu que para detectarmos esse objeto uma vez a cada cinco anos, deve haver em média um ou dois desses objetos constantemente dentro da órbita de Júpiter.

Expandindo essa densidade para o volume gigantesco da Nuvem de Oort, Loeb chegou no resultado de que existem cerca de dez trilhões desses objetos flutuando por lá. Essa conta não é especulação, está detalhada em seu paper e qualquer pessoa pode conferir.

Qual é a massa total desses objetos?

Cada um desses objetos tem uma massa estimada de cinco bilhões de toneladas. Multiplicando essa quantidade pela estimativa dos dez trilhões de objetos, temos uma massa total igual a dez Terras. Isso significa que metade da massa da Nuvem de Oort pode ser composta por objetos interestelares que vieram de outros sistemas estelares, algo totalmente revolucionário.

Por que não detectamos antes tantos objetos interestelares?

A explicação é que esses corpos permanecem invisíveis enquanto estiverem frios e inativos, como blocos de gelo escuro no espaço profundo. Eles só são detectados quando entram no sistema solar interno e começam a aquecer, formando uma coma brilhante de gelo e poeira ao seu redor — como aconteceu com o 3I/ATLAS em 2025.

Com o avanço de telescópios como o Vera C. Rubin Observatory, que entrará em operação na próxima década, espera-se uma revolução na detecção desses objetos.

Implicações para a vida e panspermia interestelar

A descoberta tem impactos para teorias de panspermia, que sugerem que a vida pode se espalhar entre sistemas estelares por meio de objetos como cometas interestelares. Dados do telescópio James Webb mostraram que o 3I/ATLAS possui moléculas essenciais para a vida, como água, dióxido de carbono e metano, que micróbios terrestres usam para sobreviver.

Se esses objetos carregam micróbios presos no gelo, eles poderiam transportar vida de um sistema estelar para outro, uma ideia que está sendo seriamente discutida no meio científico.

Um encontro futuro decisivo com Júpiter

Em 16 de março, o 3I/ATLAS passará muito próximo a Júpiter, a cerca de 53,6 milhões de quilômetros, na região da Hill sphere do planeta – a zona de influência gravitacional em torno de Júpiter. Nessa aproximação, as forças gravitacionais podem fragmentar o cometa, revelando sua composição interna e até capturar alguns fragmentos no sistema solar, tornando-os peças fixas do nosso sistema.

Reflexões finais sobre a descoberta

Em resumo, esse estudo propõe que nosso sistema solar é repleto de objetos interestelares, com uma massa total comparável a dez Terras, e que metade da Nuvem de Oort pode ser composta por material vindo de outros sistemas estelares. Essa possibilidade abre novas perspectivas para a origem da vida e a dinâmica do sistema solar.

Embora sejam estimativas e ainda haja muito a confirmar, essa descoberta já muda nossa visão do cosmos. E fique atento: nos próximos dias, com a chegada dos dados da sonda JUICE, teremos ainda mais respostas sobre esses mistérios.

Agora queremos saber: você acredita que existam mesmo dez trilhões desses objetos lá fora? Compartilhe sua opinião e continue acompanhando as novidades da astronomia conosco!

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